Os Argonautas, saga mitológica com sabor decadentista

Publicado em 1905, esta obra do escritor catarinense Virgílio Várzea é uma verdadeira raridade literária, burilada com delicada ourivessaria literária.
Texto de Bira Câmara

 

Jasão e as Sereias

Apesar de filiado à corrente naturalista, em Os argonautas Virgílio Várzea reconta com sabor decadentista a saga de Jasão em busca do Velocino de Ouro. Na mitologia grega os argonautas eram tripulantes da nau Argo que, segundo a lenda grega, viajaram até a Cólquida (atual Geórgia) em busca do Tosão de ouro (ou Velocino de ouro).

A saga dos argonautas descreve esta perigosa expedição. A lenda foi relatada por Apolônio de Rodes, em seu poema épico A Argonáutica (ou Os Argonautas, c. 250 a.C.), traduzido em 1852 em português diretamente do grego por José Maria da Costa e Silva.

Segundo o mito, o rei Éson havia sido destronado por Pélias, seu meio irmão. Jasão, o filho de Éson, que fora exilado na Tessália e entregue aos cuidados do centauro Quíron, ao atingir a maioridade retornou para reclamar o trono que lhe pertencia por direito. Então, para se livrar do intruso, Pélias resolveu incumbi-lo da arriscada expedição em busca do Velocino de Ouro. Um arauto foi enviado por toda a Grécia a fim de convocar heróis que estivessem dispostos a participar da difícil empreitada. Assim, aproximadamente cinquenta jovens se apresentaram, todos eles heróis de grande renome e valor.

Os Argonautas
Virgílio Várzea
Ilustrada,137 páginas, formato
11,5 X 18,5 cm.
Bira Câmara Editor

Cada um deles desempenhou na expedição uma função específica, de acordo com suas habilidades. Entre eles estava Orfeu, que tinha o dom da música, e coube-lhe a tarefa de cadenciar o trabalho dos remadores. Com sua voz ele sobrepujou o canto das sereias que seduziam os navegantes. Argos construiu o navio e por isso, em sua homenagem, a embarcação, construída com madeira das árvores do bosque sagrado do oráculo de Dodona, recebeu seu nome. O piloto era Tífis, discípulo da deusa Atena na arte da navegação, morto na Bitínia e substituído por Ergino, filho de Poseidon, o deus dos mares. Castor e Pólux, gêmeos filhos de Zeus e Leda, atraíram a proteção do pai durante a tempestade que a nau enfrentou. Entre os heróis destacavam-se também Teseu, considerado o maior herói grego, Hércules (que não completou a expedição) e Jasão, chefe e comandante da expedição.

Este texto de Virgílio Várzea, verdadeira raridade literária, ficou no ostracismo e não foi reeditada até hoje. Uma obra para poucos e diferenciados leitores, que saberão apreciar a narrativa concisa, burilada com delicada ourivessaria literária.

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