DE ONDE VEM A PALAVRA “SEBO”?

Existem algumas versões a respeito da origem do termo sebo, uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas. As velas, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado. Por isso, os alfarrabistas, vendedores de livros velhos, ficaram conhecidos no Brasil como caga-sebos, e com o tempo a livraria que negocia usados ganhou o nome de sebo, que não era lá muito elogioso. Dizem que um livreiro de Pernambuco foi o primeiro a assumir esse nome e colocá-lo na porta de entrada da sua livraria, nos anos 50.

Banca de livros usados, na Inglaterra, século XIX

Banca de livros usados, na Inglaterra, século XIX

Uma outra versão foi defendida por Silveira Bueno (Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa), que classifica: “Do particípio presente ‘sapiente’ se fizeram várias derivadas: ‘sabença’ (‘sapientia’), ‘sabente’ e desta forma ‘sabentar-se’ em espanhol, ‘asabentar’ em provençal, catalão, correspondendo ao italiano ‘insaventire’, tornar-se sábio, eruditar-se, instruir-se, donde o português arcaico ‘assabentar’, ‘sabentar’. Desta forma verbal saiu ‘sabenta’, a apostila, o conjunto de lições, explicações de aula. Houve assimilação de ‘a’ e ‘e’ (‘sebenta’) já sob a influência do adjetivo ‘sebento’, ‘sebenta’. Assim, ‘sebenta’ nada tem a ver com ‘sebenta’ de sebo, mas queria dizer: a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio.”

Já Eurico Brandão Jr. discorda quanto a relação entre “sebo” e o hábito da leitura à luz de velas. Segundo ele, isso se deve ao fato do livro ser manuseado constantemente, o que deixa os volumes engordurados, “ensebados”. Por essa razão, os proprietários de obras raras costumavam encaderná-los com revestimento de couro. O termo sebo tornou-se comum à partir da década de 60 e, ainda segundo Eurico, o primeiro livreiro no Brasil a usá-lo foi o seu pai, em Recife: Sebo Brandão. Por essa razão, os clientes estrangeiros que o procuravam, o chamavam de Mr. Sebo, pensando tratar-se de nome próprio…

Sobre o termo caga-sebos, Eurico esclarece que vem do nome de um pássaro comum em Pernambuco e cita em reforço, tanto o dicionário de Rodolfo Garcia, como o do Aurélio, que mencionam a palavra como sinônimo de “vendedor de livros usados”. Mas caga-sebos ou caga-sebista não têm sentido pejorativo.

Eurico também revelou que seu pai está escrevendo um livro autobiográfico onde aprofunda as pesquisas sobre a origem do termo, comprovando definitivamente suas teses sobre este tema.